A difícil tarefa de julgar
Uma das características do ser humano é emitir julgamentos o tempo todo.
Toda vez que conhecemos algo ou alguém, nos apressamos em criar um
juízo tentando avaliar qualidades, defeitos e, principalmente, as
intenções. Para tanto, usamos a percepção que é construída a partir de
como ‘sentimos’ as coisas e as pessoas.
O problema é que somos, sem exceção, maus juízes; pelo menos enquanto
não juntamos todos, ou ao menos quase todos, os elementos necessários
para concluir com mais qualidade o que pensamos e o que sentimos sobre
as outras pessoas e sobre determinada situação. E isso não é fácil,
principalmente porque os julgamentos, quando precipitados, tendem a ser
emocionais, relegando a razão a uma segunda instância. E quando, ao
contrário, tentamos ser racionais demais, também erramos, pois passamos a
desconsiderar valores humanos importantes na composição da pessoa
integral...
Mas não se culpe, a psicologia nos explica que julgar pelas aparências é
normal. A primeira análise que fazemos de uma pessoa ou de uma situação
é aquela que busca defender nossa integridade física, portanto é uma
análise puramente instintiva. Nosso cérebro primitivo sempre grita
‘cuidado’ diante do desconhecido, principalmente se sua estética não for
parecida com a nossa ou com o padrão que apreciamos. A segunda análise é
emocional e apenas em terceira instância fazemos um exame racional.
Por isso, dê sempre um tempo antes de emitir um juízo de valor e tenha
consciência de que eles nunca serão completamente fidedignos.
(Eugênio Mussak – Uma coisa de cada vez – Ed. Gente)
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