Reuven Feuerstein
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Professor
Reuven Feuerstein (nascido em 21 de Agosto de 1921 em Botosan, Romênia) (
hebraico פוירשטיין) um psicólogo
judeu-
israelense, criador da
Teoria da modificabilidade cognitiva estrutural
(MCE), a teoria da Experiência da Aprendizagem Mediada (MLE), e o
Programa de Enriquecimento Instrumental (PEI). A ideia de que
inteligência pode ser desenvolvida está associada ao trabalho do
Professor Feuerstein.
Feuerstein estudou na
Universidade de Genebra sob orientação de
Jean Piaget,
André Rey, Barbel Inhelder e Marguerite Loosli Uster e é um seguidor de
Lev Vygotsky. Ele é o presidente do Centro Internacional pelo Desenvolvimento do Potencial de Aprendizagem (ICELP)
[1] em
Jerusalém. Os conceitos de que a inteligência é plástica e modificável, e que a inteligência pode ser pensada, são centrais na
Teoria da modificabilidade cognitiva estrutural.
Inteligência pode ser desenvolvida em um ambiente de aprendizagem
mediada criado a partir da teoria da Experiência da Aprendizagem
Mediada.
Um mediador é uma pessoa que trabalha interagindo com o aprendiz
estimulando suas funções cognitivas, organizando o pensamento e
melhorando processos de aprendizagem.
Depois de desenvolver suas teorias e de aplicar uma série
intervenções práticas para mediação com crianças sobreviventes do
holocausto. Feuerstein respondeu à demanda de professores por métodos
que pudessem solidificar seu trabalho no formato curricular. Para esse
fim, ele desenvolveu 14 “instrumentos” que mediadores e estudantes
usaram para enriquecer funções cognitivas e construir o hábito de se ter
um pensamento eficiente. Ele organizou esses instrumentos “livres de
conteúdo” (content free) em um programa de 3 anos para estudantes acima
de 9 anos. Esse programa é chamado de Programa de Enriquecimento
Instrumental (PEI).
Depois de 50 anos de sucesso, documentados por mais de 1500 pesquisas
científicas com várias populações, incluindo engenheiros da Motorola
(USA), estudantes carente em comunidades rurais do Brasil (Bahia),
imigrantes não-alfabetizados (Etiópia), crianças autistas e com síndrome
de Down (Jerusalém-Israel), estudantes do ensino médio com baixo
aproveitamento em matemática (Cleveland, Ohio, USA) e muitos outros
grupos.
Feuerstein desenvolveu uma versão básica do PEI para uso com crianças
e adolescentes com dificuldades cognitivas profundas. Projetos através
do estado do Alasca (EUA), Grã-Bretanha, Itália, Índia e Japão tem sido
desenvolvidos, explorando a aplicabilidade de novos instrumentos com
jovens com dificuldades diversas de aprendizagem.
Abaixo pode-se ler a participação de Myron Tribus, publicado em um
diário chamado Letters From Jerusalem, na 18ª Conferência Anual do ICELP
em Julho de 1997:
“Hoje, a 18ª Conferência Anual foi aberta sobre duas teorias básicas:
Teoria da modificabilidade cognitiva estrutural
(MCE) e Experiência da Aprendizagem Mediada (EAM), com seus dois
métodos aplicados: Programa de Enriquecimento Instrumental (PEI) e o
Teste de Propensão à Aprendizagem (LPAD). Há 233 pessoas participando da
conferência, representando 33 diferentes países. A cerimônia incluiu
observações dadas pelo sr.
Benjamin Netanyahu,
o primeiro-ministro. Ele falou da importância da educação nesta nova
era e então descreveu sua experiência em uma base militar próxima. Lá,
ele encontrou com alguns homens com Síndrome de Down, que tinham sido
mediados pelo método de Feuerstein e que estavam agora servindo com o
uniforme das
Forças de Defesa de Israel
(IDF). Ele mencionou o orgulho desses homens em estarem prontos para
vestirem o uniforme e cumprir com suas obrigações militares. Ele também
falou de sua gratificação na aceitação desses soldados pelo comando
militar. Em um ponto ele disse: 'Eu tive grande dificuldade em conter
minhas emoções quando eu vi e falei com estes homens afligidos com a
Síndrome de Down'”.
Benjamin Netanyahu também disse: “Um pais deveria ser julgado pela forma como ele trata os mais vulneráveis de seus cidadãos”.
Como parte da cerimônia de abertura, Prof. Feuerstein disse: “O PEI
foi testado durante muito tempo e em uma grande e variada população, e
essas pesquisas demonstram que apesar dos danos cognitivos causados por
choque cultural, acidentes físicos, traumas na infância por abusos ou
extrema pobreza, negligência dos familiares... apesar de tudo isso, o
funcionamento cognitivo desses sujeitos se desenvolveram. Experiências
nos dizem que esse desenvolvimento é sem limites”.
Para o autor a aprendizagem pelas vias da mediação, deve ser
compreendida diferentemente da aprendizagem pela exposição direta do
sujeito ao objeto ou estímulo. Ou seja, há a necessidade da intervenção
de um mediador humano, que para ele é um sujeito cuja ação mediadora é
intencional e não-ingênua. Ele se interpõe entre o sujeito
(mediando/aprendiz) e o mundo (no sentido amplo – conteúdo, estímulo,
objeto, etc.), conduzindo a reflexão e interação tendo em vista a
introdução de pré-requisitos ou recursos cognitivos (da dimensão do
pensar) que potencializarão progressivamente a capacidade de
aprendizagem deste sujeito.
Deve-se mencionar que o conceito de “mediador” e “mediação”, são
tratados aqui de forma específica, e não em sentido amplo. Tais
terminologias são aplicadas em outros âmbitos da educação com conotações
diversas. Porém, para a abordagem de Reuven Feuerstein ou da EAM
(Experiência da Aprendizagem Mediada), para que haja mediação são
necessários pelo menos 3 critérios:
(1) Mediação de intencionalidade e reciprocidade: Intencionalidade
por parte do mediador e reciprocidade perante o mediado para focagem e
satisfação das necessidades do mediado;
(2) Mediação de transcendência: Transcendência da realidade concreta,
“do aqui-e-agora” e da tarefa aprendida, generalizando para posterior
aplicação da compreensão de um fenômeno apreendido em outras situações e
contextos;
(3) Mediação de significado: Construção (incitada pelo mediador) de
significados que permitam compreender a importância da aprendizagem e
interpretar os resultados alcançados.
Estes critérios foram observados empiricamente por Feuerstein, como
fatores comuns em toda situação de mediação. Em seguida será ampliado o
significado de cada um destes critérios.
Por intencionalidade do mediador e reciprocidade do mediando,
entende-se a consciência do interventor humano em sua tarefa ante o
mediado e o estímulo, ou seja, clareza de suas intenções educativas. Não
se ensina ou se estimula para o nada. Há sempre uma intenção um
objetivo, nenhum processo educativo pode ser realizado sem objetivos. Da
mesma forma o mediado deve dar um feedback e estar consciente de que,
ante uma situação de aprendizagem mediada, o que se tem não é apenas o
cumprimento de uma tarefa, mas que há uma intenção que transcende a
situação posta.
A construção de significados, é quando o mediador trabalha com a
elaboração de valores e códigos culturais (linguagem). Para que haja
mediação, é necessário trabalhar com o uso apropriado das palavras e a
significação de símbolos e representações que estão antepostas ao
mediado. O mediador introduz problematizando, conceitos e significados.
Afinal o mediado compreenderá uma realidade dada a partir de sua leitura
de mundo, que por sua vez é elaborada por sentidos e significados que
ele dá aos estímulos de sua realidade objetiva. Aqui a linguagem, na
perspectiva vygotskyana, é um instrumento ou uma ferramenta psicológica
de intervenção e estruturação do pensamento. O mediador tem como função
introduzir e aprimorar no mediado estes instrumentos.
Por transcendência, entende-se algo que foi aprendido e logo foi
extrapolado para outras dimensões espaço-temporal da vida do mediado. Ou
seja, no processo de mediação o mediador deve ter a capacidade de
conduzir o aprendiz para além do problema a ser resolvido.
Universalizando ou transcendendo as soluções adquiridas ante uma
situação-problema imediata, conduzindo-o a pensar sobre a aplicabilidade
destes conceitos em outras situações de sua realidade. Para Feuerstein,
se há a presença destes 3 critérios, há Aprendizagem Mediada.
Quando se fala de EAM dentro desta estrutura básica, fala-se de
aprendizagem mediada em todas as dimensões humanas. Informalmente uma
mãe ensina seu filho a andar e falar, uma criança aprende a andar de
bicicleta, etc.
Há vários
centros autorizados[2]
no Brasil que dão treinamento no Programa de Enriquecimento
Instrumental (PEI), o referido instrumento - segundo o autor - não deve
ser aplicado sem o devido treinamento realizado por centros sob a
supervisão do ICELP-Jerusalém-Israel.
Referências
O potencial de aprendizagem está ligado à capacidade que o ser humano tem de adaptação e interação com o meio, ampliando suas possibilidades através de uma aprendizagem mediada.
B)Conceito de modificabilidade cognitiva
Feuerstein destaca a característica que o ser humano tem quanto a sua receptividade à mudança, adaptando-se às diferentes situações por ele vivenciadas através dos processos mediadores que interferem no seu desenvolvimento cognitivo, afetivo e motivacional.
C)Descrição de cada um dos critérios de mediação:
a) Mediação de intencionalidade e reciprocidade:
O mediador compartilha com o educando a intenção, objetivos e metas de determinada atividade. Ao interagir, o educando desenvolve seus processos cognitivos, o desejo de aprender e o espírito de cooperação, envolvendo-se no processo ensino-aprendizagem.
b) Mediação da Transcendência:
A transcendência possibilita que o sujeito estabeleça relações entre conhecimentos já adquiridos a novas situações, desenvolvendo a espontaneidade e a autonomia, resultando numa aprendizagem eficaz. Para Feuerstein, essa é parte mais humanizante da interação mediador-mediado.
c) Mediação de significado:
O mediador propõe situações de aprendizagem, estimulando o aluno na busca do significado daquilo que está aprendendo, mostrando a importância e fazendo relações quanto à finalidade e conexões com aquilo que já sabe.
d) Mediação de regulação e controle de comportamento:
O mediador promove a reflexão quanto ao comportamento do indivíduo frente à resolução de situações-problemas.
e) Mediação de conduta compartilhada:
A mediação afetiva e emocional é fundamental neste processo, visto que o mediador encoraja o educando a expor seus pensamentos, opiniões e sentimentos, promovendo também o espírito de cooperação e respeito ao posicionamento dos demais.
f) Mediação das diferenças individuais:
As diferenças individuais devem ser respeitadas e aceitas. O mediador propõe situações diferentes que possibilitem o desenvolvimento da aprendizagem, levando em conta o nível de conhecimento de cada um.
g) Mediação de busca, planificação e realização dos objetivos:
O mediador chama a atenção quanto à importância do planejamento sistemático, revisão de metas e procedimentos, auxiliando na escolha de estratégias para o alcance dos objetivos e incentivando a perseverança e sentimento de competência.
h) Mediação de busca da novidade e da complexidade:
O mediador proporciona novas situações de aprendizagem, respeitando o nível de cada, incentivando a fazer relações com aquilo que já sabe e à criação de novas tarefas, proporcionando assim, a adaptação às situações diversas.
i) Mediação da capacidade de transformação estrutural cognitiva:
O indivíduo deve estar consciente de sua possibilidade de transformação e que também é responsável pelo seu desenvolvimento cognitivo.
j) Mediação do otimismo:
O mediador desafia na busca de alternativas criativas, de forma construtiva e otimista na resolução de problemas.
l) Mediação do sentimento de competência:
Valoriza o desenvolvimento do aluno, promove a auto-avaliação e autoconfiança e proporciona atividades de acordo com o interesse e capacidade.